Quando uma capa diz tudo



Achei notória a diferença entre as capas dos jornais de hoje, em especial a escolha da fotografia do desastre que marcou o dia de ontem em Madrid. Enquanto o Público optou por uma imagem, arriscava-me, artística e, em especial, à distância; já o Correio da Manhã decidiu colocar uma imagem altamente gráfica de um ferido no acidente.



Não sei se a imagem do último também poderá ser considerada artística, aliás, nem sei bem o que esta palavra significa (daí o uso do itálico), mas julgo que o uso de uma imagem deste tipo logo na primeira página e onde a vítima, mesmo estrangeira, poderá ser reconhecida é de evitar. Reparei também a confusão que houve no aeroporto de Madrid e achei escandaloso a proliferação dos média entre as vítimas e seus familiares, tendo estes que furar por entre as câmaras, quase sempre em estado de choque, para se poderem deslocar para gabinetes de apoio psicológico. Repare-se, apoio psicológico! A rever, portanto.

Termino com o óbvio sentimento de tristeza e solidariedade para com as vítimas, familiares e amigos.

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Publicada porPedro José  

1 comentários:

Luy disse... 22/08/08, 14:43  

Ontem vi um pouco do noticiário da TVE Internacional, e se eu já ficava completamente boquiaberto com a cobertura massiva que os media portugueses fazem de acontecimentos com as mesmas caracteríticas do trágico acidente no Aeroporto de Madrid, fiquei a saber que os media espanhóis são muito piores.
E o que ainda mais me chocou foi o facto de muitos familiares não se negarem a prestar declarações numa altura destas, reproduzindo conversas que tiveram com as vítimas antes do acidente acontecer!
Os media são agressivos, mas a maior culpa é das audiências, que lhe dão crédito.
Quando apurarem as causas da queda do avião já não vai haver nenhum media interessado em anunciar o resultado. É sempre assim... Só há tempo de antena quando se pode explorar os sentimentos das pessoas. É o vazio total da nossa sociedade.
Contudo, foi impressionante como 23ambulâncias se deslocaram logo para o local, assim como helicopteros e muitos médicos espanhóes interromperam as férias para prestar auxílio. Tenho sérias dúvidas que em Portugal o socorro cehgasse tão eficazmente e que a sociedade civil cooperasse desta maneira. São as minhas interrogações.

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