#3 Welcome to Patagónia

Como talvez alguns se tenham apercebido, surgiu na comunidade cibernautica (e suponho que nos cafés de norte a sul) um sentimento de ódio para com os nossos atletas nos Jogos Olímpicos. Parece que o anónimato proporcionado por fóruns e blogues dá ao português mediano uma possibilidade de criar um alter-ego arrogante e extremamente violento. Mas, como eu gosto de dizer, no fundo, no fundo, essas pessoas só têm é pilinhas bem pequininas.



É com esta triste descoberta de ódio nos comentários ao artigo do Sol sobre o desaire de Naide Gomes que lá me registei e deixei o comentário que pretendo partilhar convosco porque julgo que há sempre algo a aprender com o [nosso] fracasso. Aqui fica:

Um dia triste para o atletismo nacional, porque, ao contrário de muitos treinadores de bancada que por aqui se encontram, Naide Gomes foi, é e será uma das nossas atletas maiores.

Hoje errou, é certo, mas o desporto (ainda por cima individual) passa por isso mesmo, e só quem não vive o desporto como todos os atletas que lá foram é que não entenderá o que é participar nuns Jogos Olímpicos.

Os nossos atletas, apesar de alguns comentários menos felizes (muitos à base do desabafo ou da piada jocosa), são muito capazes (afinal de conta, foram os únicos atletas nacionais que conseguiram os mínimos para lá irem e não se julgue nunca que isso é tarefa fácil).

Fico então à espera de mais excelentes resultados da nossa campeã e líder mundial Naide Gomes!



Acrescento também aqui (dado o depoimento de demissão do Presidente do Comité Olímpico Nacional) a rezignação aos comentários que, tal como no caso anterior, recomendo a leitura interessada dos vários comentários deixados por espécimes de xicos-espertos:

Se apenas os potenciais medalhados fossem aos Jogos Olímpicos, em vez das dezenas de milhares de atletas lá presentes, estariam apenas algumas centenas... a nível mundial! É ridículo pensar-se sequer nessa possibilidade.

Com excepção de 3 ou 4 atletas nacionais, os restantes não estão verdadeiramente profissionalizados porque não têm condições para tal. Não se lhes pode exigir medalhas simplesmente porque sim; os que lá chegam serão sempre a excepção (3 em dezenas de atletas a nível olímpico) e isso só valoriza mais as medalhas que os nossos atletas na história dos Jogos já alcançaram.

Os atletas, mesmo os mais destacados, não são máquinas e as suas performances dependem de inúmeros factores, factores estes que eles batalham diariamente para que lhes sejam favoráveis. No entanto, nem sempre o resultado surge. E luta pelas medalhas não passa só por eles, mas sim por todos os atletas que, àquele nível, qualquer erro mínimo retira qualquer possibilidade de vitória.

Vicente Moura, a meu ver, escolheu uma péssima altura para as afirmações que deu, dado que só mostra uma falta de respeito pelos nossos atletas ainda em competição.

E dito isto, força Nélson!!!


Termino com um:

Quando se ama, ama-se sempre. Sempre!

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Publicada porPedro José  

1 comentários:

Luy disse... 22/08/08, 14:31  

Eu confesso que fiquei desiludido com a prestação da Naide, sobretudo porque tinha visto um documentário sobre a forma de preparação e achei-a ultra-profissonal.
O erro dela é muito amadaor. Mas de qualquer forma, se há alguém que ver com isso é ela mesma, que se esforçou durante 4 anos a preparar-se para uma medalha e praticamente nem as disputou.
Mas se ela voltar aos Jogos Olimpicos e ganhar, essa medalha vai saber a uma dupla vitória. E por isso, fico a torcer para que isso aconteça.

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