Find the Line on The Horizon

No Line on The Horizon é o 12º album de estúdio dos U2, um trabalho que a banda irlandesa dedicou a Rob Partridge, que com eles assinou o primeiro contrato discográfico da banda, em 1979, e que morreu o ano passado.

Desde 2004, em que foi editado How to Dismantle an Atomic Bomb, que os U2 não apresentavam novo material, tendo sido este o período de interregno mais longo na carreira banda, no que respeita às edições de música nova.

No início os U2 colocaram a hipótese de dividirem o álbum em 2 EP’s, que seriam intitulados de Daylight e Darkness. Embora esta ideia não tenha sido concretizada, o facto do grupo ter escrito entre 50 a 60 canções para este trabalho, faz com que os U2 estejam a equacionar a edição do substituto de No Line on The Horizon já para o final deste ano. É claro que, até lá, a banda não vai estar parada, porque se aproxima mais uma digressão, a 360° Tour, que é um momento sempre aguardado com grande expectativa e muita ansiedade pelos fãs.

Quanto a No Line on The Horizon, embora as revistas da especialidade de referência tenham “apadrinhado” o álbum, dando notas bastante altas, como foram o caso da Rolling Stone e da Q Magazine, a maioria tem apreciado o álbum com alguma indiferença e não tem uma visão unanimidade quanto ao seu encaixe na carreira dos U2.


Julgo que neste álbum os U2 cortaram com o experimentalismo musical que vinham seguindo na linha dos últimos trabalhos, partindo mesmo numa viagem ao passado, para resgatar os louros de Achtung Baby, que é considerado a obra-prima do grupo, que tocou com a mesma intensidade o público dos dois lados do Atlântico, embora estas afirmações não sejam de todo unânime junto dos acérrimos fãs da banda. Contudo, é notório e indiscutível que em No Line on The Horizon é resgatada a sonoridade de Achtung Baby, embora as letras deste novo álbum fiquem aquém das de Achtung Baby, para além de que a sonoridade que em 1991 era inovadora hoje soa a daéjà vu.

Na produção do álbum os U2 voltam a colaborar com os amigos de longa data Daniel Lanois e Brian Eno, que são praticamente o 5º e o 6º elemento da banda. A maioria dos temas é embrulhada numa mescla sonora, que retira qualquer hipótese aos temas de ganharem personalidade. O ritmo calmo abre quase todos os temas, para começar a desenhar-se a meio um ambiente mais sólido. O single de apresentação, Get On Your Boots, procura rivalizar com a energia de temas recentes, editados nos últimos dois álbuns, como Elevation, Beautiful Day ou Vertigo, que no passado se tornaram hinos dos U2, mas que me parece uma competição perdida à partida.

Sendo No Line on The Horizon um álbum rock, não deixa de nos remeter para um ambiente chill out em temas como Moment Of Surrender, White As Snow e Cedars Of Lebanon. Existe uma contínua insistência nos coros, que dão energia nos momentos em que a voz de Bono se torna monótona. Os refrães, que são bastante curtos, são calculados para ficarem no ouvido, mas a letra não é suficientemente atractiva para que fiquemos imediatamente a repeti-los, excepto em “only love can leave such a mark”, inserido no tema Magnificent. Regista-se também uma forte componente de guitarra eléctrica, que ao fim ao cabo é tangente à carreira dos U2 e que parece procurar imprimir linha condutora de ligação dos temas.

Na minha opinião, este não será o melhor álbum dos U2, ao contrário do que Bono tem afirmado nas suas últimas entrevistas, mas também não considero que seja um completo desastre. Talvez represente apenas um compasso de espera até o grupo voltar a ter uma novo rasgo de originalidade musical, que os leve à produção de temas que marcam gerações, tal como vêm fazendo desde 1980. Na realidade, julgo No Line on The Horizon é apenas o pretexto que os U2 precisavam para fazer mais uma tour.


U2 - No Line on The Horizon [2009]
Nota: 6/10


1. No Line on the Horizon (**)
2. Magnificent (***)
3. Moment of Surrender (****)
4. Unknown Caller (***)
5. I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight (***)
6. Get on Your Boots (***)
7. Stand Up Comedy (**)
8. Fez – Being Born (**)
9. White as Snow (***)
10. Breathe (***)
11. Cedars of Lebanon (***)

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Publicada porLuy  

3 comentários:

Pedro José disse... 03/04/09, 16:30  

Depois de me ter obrigado a escutar o álbum algumas vezes, o meu único possível comentário é:


zzzzzZZZZZZzzzzzZZZZZZzzz

(nunca mais o escutei e assino por baixo a crítica O_o)

:p

Luy disse... 03/04/09, 16:57  

:p

O comentário do Bono a respeito deste álbum é de que é o melhor de sempre dos U2. Mas a mim este comentário faz-me lembrar o mesmo que Noel Gallagher fez sobre o último trabalho dos Oasis, que foi um fiasco.

Pedro José disse... 03/04/09, 17:02  

Ou todos os da Madonna desta década =O

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