True Blood


Não sou grande apreciador de histórias de vampiros e afins, quase sempre porque existe alguma pobreza no argumento dos filmes e séries que têm surgido nos últimos anos. Com excepção feita a Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Coppola [1992], nada me apaixonou verdadeiramente pela temática vampiresca.

Até hoje.

Por conselho e alguma curiosidade (afinal trata-se de uma série assinada por Alan Ball, o mesmo que nos trouxe uma das melhores séries jamais feitas, Six Feet Under) comecei a ver a primeira temporada de True Blood e, rapidamente viciado no elenco, vi três episódios seguidos. Assim começam:



A história centra-se entre Sookie, uma empregada de mesa num bar que consegue escutar os pensamentos das pessoas à sua volta, e Bill, um vampiro que é o primeiro ser que Sookie não consegue escutar. Este é precisamente o motivo da sua fascinação inicial e eventual apaixonamento. Toda a história passa-se na pacata cidade de Bon Temps no Louisiana onde não é escondido o sotaque forte e as mentalidades, chamemos-lhes, antigas do sul dos Estados Unidos.

Mas, embora este ambiente inesperado numa história de vampiros onde as personagens são, tal como as de Six Feet Under, expostas com o devido tempo e desenvolvimento, não é isto que justifica a originalidade da série. É pois o paralelo criado entre o receio e generalização pelos vampiros [que se assumiram há dois anos, após a criação no Japão de um líquido, um sangue falso, o True Blood, que é comercializado como uma espécie de refeição em forma de cerveja e que substitui da alimentação dos vampiros o sangue humano] e a xenofobia entranhada na mentalidade humana, nomeadamente o racismo e a homofobia.


Existe portanto a exploração da (des)aceitação humana em relação aos vampiros (e há vários tipos, como em tudo, embora sejam todos rotulados de bestas de forma humana). E os vampiros personificam todos os receios humanos pelo desconhecido que, muitas vezes, prende-se precisamente com esse factor: o desconhecimento. Na série não se cai no exagero de remeter para o outro lado do espectro, em que todos os vampiros são inocentes seres afáveis, porque muitos não o são. Mas consegue criar no espectador a perspectiva das coisas, da condição humana, dos seus erros, dos seus medos, da sua sexualidade. E é isso que dá valor a True Blood.

A segunda temporada teve início esta semana (altura invulgar para um arrancar de novos episódios) e no dia de estreia confirmou-se o estatuto que a série tem ganho nos últimos meses, tendo conseguido as maiores audiências para a HBO desde o final dos The Sopranos. Assim é o trailer da segunda temporada, ao bom estilo HBO:



*xuac*

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Publicada porPedro José  

1 comentários:

Luy disse... 19/06/09, 14:19  

Eu tenho tantas séries para ver, que a lista de espera tem que ser reordenada, visto que nunca irei ter tempo que chegue para ver tudo.
Ou seja, estas tuas propostas só me dificultam mais a tarefa de selecção :p

Obrigado.

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