I'm Starting With The Man In The Mirror

Michael Jackson é o maior icon da música pop mundial. A sua carreira musical atravessa quase 4 décadas. Começou nos anos 60 com os Jackson 5, teve o seu auge nos anos 80 e inícios dos 90 a solo e o seu declínio iniciou-se neste novo milénio.

Michael Jackson sempre manifestou um grande sofrimento pelo facto da sua infância ter sido trocada pelo estrelato, que era conseguido à custa de uma grande persistência do pai, que obrigava os filhos, e especialmente Michael, a rigorosos ensaios, nos quais era utilizada a agressão física.

Michael justificava a sua afeição às crianças, e o facto de estar sempre rodeado delas e de, inclusivamente, dormir com elas, como um modo de recuperar essa infância perdida. Deste modo, tornou-se um alvo fácil de extorção de dinheiro para os pais dessas crianças, que o acusaram de as molestar sexualmente.

O brilhantismo da sua carreira foi completamente ofuscado pelas acusações e pelas manobras de distracção que criou para desviar as atenções e fundamentar a sua inocência. O seu casamento com Lisa Marie Presley (a filha de Elvis Presley) ou com a sua enfermeira Debbie Rowe, com quem estabeleceu um contrato para esta conceber dois filhos com o esperma de um dador anónimo, só tornaram as coisas na sua vida mais estranhas, bizarras e apetecíveis aos media.

E as coisas estranhas não ficaram só por aqui. Em 2002 Michael viria a fazer uma apresentação pouco convencional de um terceiro filho aos fãs, ao segurar a criança nos braços para lá das grades de protecção de uma janela de um hotel em Berlim e com uma fralda tapava o rosto do bebé. A acrescentar a tudo isto, não podemos deixar de referir o assunto mais mediático na vida de Michael, que é transversal a quase toda a sua carreira, e que se tratam das suas transformações faciais constantes, através da realização de plásticas, a que se junta a sua descoloração de pele, que eram matérias de tratamento burlesco nos media. O facto de Michael ter inicialmente negado que tinha efectuado plásticas e posteriormente afirmado que apenas se tinha submetido a duas intervenções desse género, só alimentaram o frenesim mediático e a chacota em torno do cantor.

No meio desta barreira, entre Michael Jackson e os media, estiveram sempre os fãs, que talvez sejam dos mais acérrimos de toda a história da cultura pop. Michael Jackson autoproclamou-se de King of Pop (Rei da Pop) e sempre promoveu o histerismo nos seus fãs. Paradoxalmente, Michael Jackson apresentava-se como uma pessoa tímida e reservada, mas por outro lado era muito directo com as suas acções publicitárias, que fomentavam nos seus fãs a devoção ao “Rei”. Tornou-se numa estrela completamente inacessível, que se escondia dos media e passava a sua mensagem apenas através dos seus trabalhos. Esta foi uma das razões pelo qual comecei apenas a concentrar-me na música e a negar a personagem, porque a música de Michael Jackson é uma verdadeira referência para as gerações que nasceram nos anos 70 e 80, e será sempre uma valiosa herança e também uma referência para todas a gerações vindouras.

Na sua carreira a solo Michael Jackson só gravou 6 álbuns de originais: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991), HIStory: Past, Present and Future – Book I (1995) e Invincible (2001). Contundo, o ultra-sucesso da maioria destes trabalhos, e sobretudo de Thriller, que é simplesmente o álbum mais vendido de sempre, com uma cota superior aos 100 milhões de exemplares, fizeram de Michael Jackson uma lenda dentro da música pop à escala planetária. Ao sucesso de vendas acrescenta-se o facto de Michael Jackson ter sido um visionário na produção de vídeos musicais e na montagem de espectáculos ao vivo que iam mais além da música. Os seus vídeos marcaram uma era e serão para sempre uma inspiração e um testemunho da história música, assim como os seus espectáculos ao vivo mudaram a visão dos concertos da estrelas pop e rock, ao integrar uma cuidada apresentação cénica, a dança e um sem-número de novidades tecnológicas ao nível visual.

Infelizmente, a vida de Michael Jackson terminou por ser mais uma tragédia grega, com episódios soturnos e obscuros, à semelhança de outras estrelas como Marylin Monroe ou Elvis Presley.

Para recordar Michael Jackson deixo aqui uma apresentação de Man In the Mirror, um tema escrito por Glen Ballard e Siedah Garrett, que integrou o álbum “Bad” e cujas vendas do single reverteram para o Camp Ronald McDonald for Good Times, um acampamento para crianças doentes cancro, à semelhanças de inúmeras outras acções de beneficência para crianças que Michael Jackson promoveu.

Esta é a interpretação ao vivo de “Man In the Mirror” na cerimónia dos prémios Grammy de 1988, numa apresentação que se concentra apenas na estrela Michael Jackson, sem grandes artifícios.

If You Wanna Make the World a Better Place
Take a Look at Yourself, and then Make a Change

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Publicada porLuy  

1 comentários:

zeh disse... 08/07/09, 09:42  

Em termos musicais ele realmente foi quase sempre muito inovador e certamente que influenciou muitos dos artistas que andam por aí hoje em dia, como eles proprios o admitem... todos os escandâlos em volta da personagem (desde as plásticas aos julgamentos em tribunal) contribuiram para que a musica assumisse um segundo plano, mas também ajudaram a aumentar a fama...

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