A Gripe


Custa-me ver que a campanha monumental em relação à Gripe A (H1N1) continua a dominar os temas da informação em Portugal. Depois do fracasso de marketing que foi a gripe aviária de há poucos anos, esta parece ter finalmente encontrado o caminho para os bolsos dos seus consumidores. Note-se, no entanto, que nem todos os países ocidentais dão a mesma atenção à Gripe A como Portugal. E não foi por isso que sofreram ou sofrerão epidemias do vírus. Simplesmente não há alarmismos e exageros obscenos quando a Ministra da Saúde ou o Director-Geral de Saúde, por tudo e por nada, dão conferências de imprensa ou entrevistas a nível diário. Isto só ajuda ao alarmismo generalizado e ao chamamento de uma das mais fortes imposições sobre uma população: o medo.

E uma população com medo é facilmente desviada dos temas que verdadeiramente importam como, por exemplo, o fecho de inúmeras maternidades contra a abertura inexplicável (!!!) de inúmeros centros de apoio à Gripe A. Esta medida megalómana, para além de desnecessária, desvia pessoal médico das consultas e urgências habituais e, dada a conhecida falta de pessoal, só destabiliza ainda mais o ténue equilíbrio do SNS.


Mais! Choca-me imensamente que tenham surgido campanhas dirigidas às crianças com a mensagem de evitarem beijos, abraços e outro tipo de afectos. Tudo em nome da prevenção do contágio da Gripe A. Numa sociedade em que a distância humana entre as pessoas tem aumentado claramente nas últimas décadas, acho inadmissível que os afectos sofram este tipo de abominação por tão pouco!

Neste momento não há diferenciação no tratamento entre a Gripe Sazonal e a Gripe A e todos os cuidados a ter para evitar o contágio são conhecidos desde sempre pela cultura popular e pelo bom-senso. Não há muito a alterar. Lavar as mão? Não espirrar para as mãos? Não beijar pessoas constipadas/doentes? Mas quem é que o fazia antes deste alarmismo??? E se tivermos o azar de mesmo assim ficarmos e engripados, nada como passar dois ou três dias em casa a Ben-u-ron's. Já agora é de evitar o tão badalado Tamiflu dadas as suas contra-indicações mais pesadas que os seus benefícios e, evitando-o, não enchem os bolsos do antigo Ministro da Defesa de Bush, Donald Rumsfeld (oops).

Em 2008 morreram cerca de 2.000 pessoas devido à Gripe Sazonal em Portugal (em 2003 foram 3.822!) e no entanto não foi, nem de perto nem de longe, dado este tipo de projecção apocalíptica. Para terminar, fica a reportagem que vale a pena ver:



*xuac* [sem máscara]

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Publicada porPedro José  

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