Onde estão a consciência e a razão deste país?

No passado sábado (20 de Fevereiro) estava eu na loja Viva da Praça dos Restauradores, tranquilamente a aproveitar a última réstia dos saldos, quando a loja começou a ser inundada pela música We Are Family, das Sister Sledge, que vinha de um palco montado na praça, virado de frente para a Av. da Liberdade. O tema, que é um dos mais famosos hinos musicais da comunidade gay para defender os seus direitos e extremamente contagiante, fez com que algumas pessoas na loja começassem logo a cantarolar e a bater o pézinho. Contudo, esse contentamento depressa se tornou num certo pesar quando as pessoas se aperceberam que “festa” promovia o alarido todo: nem mais nem menos que uma manifestação contra a recente aprovação lei casamento entre pessoas do mesmo sexo, exigindo que fosse feito um referendo.

Quando eu estava pagar os artigos que iria levar, entrou na loja uma rapariga de apenas uns 18 anos, ruiva, muito gira, que estava a participar na manifestação, e que desesperada perguntou se não havia por ali um café ou um restaurante que tivesse uma casa de banho onde ela pudesse ir. A empregada da loja, respondeu-lhe entre dentes que virasse na rua do canto dos CTT. Era notório, pelo olhar da rapariga, que ficou um tanto baralhada, que não percebeu a resposta, mas deve ter confiado no facto de saber o que são os CTT e essa seria a pista para a salvar de molhar as cuequinhas.

Quando saí da loja tive uma curiosidade mórbida em verificar quantas pessoas perdiam um lindo sábado de sol, depois de tantos dias de nublado e chuva, a manifestar-se em prol de um movimento para descriminar outras pessoas. Suspirei de alívio quando vi que eram apenas umas 1.000 pessoas que tinham sacrificado o sábado.

Entretanto, os organizadores da manifestação subiram ao palco para umas palavras de apreço aos caminhantes desta cruzada. Falaram em como estavam comovidos com a presença de tantas pessoas, tendo um deles dito algo do género: “Estou comovido pela participação de tantas pessoas nesta manifestação. Quase não vejo as últimas pessoas lá no fundo da avenida. Conseguimos encher a Av. da Liberdade. Algo que um partido nunca logrou fazer”. Ora bem, como eu disse, estavam apenas umas 1.000 pessoas. Vá lá umas 1.500 no máximo, contanto com as pessoas que se paravam a ver este espectáculo de mentiras. Uma coisa eu vos digo, estes oradores davam para bons políticos em Portugal. As mentiras seriam uma garantia nos seus discursos. É impressionante como mentiam descaradamente! Como se as pessoas fossem cegas. Na verdade, as que participaram na manifestação eram efectivamente cegas e os organizadores estavam apenas a tentar moralizá-las e a procurar recrutar mais.

À noite as televisões deram um pequeno tempo de antena ao evento, omitindo o número de participantes. Se queriam fazer um trabalho verdadeiro e digno, deviam ter contado quantas pessoas estavam na manifestação, para isso bastava que soubessem contar até 1.000. Os jornais do dia seguinte divulgaram o número inflacionado avançado pela organização da manifestação, que dizia que tinham estado 5.000 pessoas presentes.

Foi extremamente deprimente ver uma jovem a ser entrevistada dizer que “se os homens puderem casar com homens e as mulheres casar com mulheres dentro de 10 anos não há Portugal!” Tive muita pena dela. Coitada, tão novinha e a julgar que só ía ter mais 10 anos de vida. Não sei o que lhe disseram para ela pensar assim. Mas é muito grave que ela não pense por ela própria. Contudo, acho que percebi a estratégia de quem a convenceu desta teoria e vem do facto dos espanhóis já terem legalizado o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja, os espanhóis vão desaparecer dentro de menos de 10 anos e aí os portugueses, só heterossexuais, claro, vão invadir Espanha e tomar conta de toda a Península Ibérica.

Santa ignorância…

Partilhar

Publicada porLuy  

1 comentários:

Pedro José disse... 23/02/10, 17:29  

Sem palavras, mesmo... =/

Enviar um comentário