Margarida Pinto: Apontamento ao vivo

No passado dia 13 de Fevereiro deparei-me com um concerto de Margarida Pinto na Fnac Almada em promoção do seu novo projecto A Aprendizagem. Nunca a tinha visto ao vivo e fiquei positivamente impressionado com a sua voz. Trata-se facilmente de uma artista que é (ainda) melhor ao vivo do que em estúdio. Aqui fica o Apontamento retirado do seu álbum de estreia a solo com o mesmo nome:




A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada, descuidada.
Caiu, e eu fiz-me em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para ver o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
E os deuses que há debruçam-se da escada
E sorriem à criada
Não se zanguem com ela.
São tolerantes...
A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu
O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?
Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Ao fundo um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-o por não saber por que ficou ali.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?
Ai, o que era eu, o que era eu?
(Alberto Caeiro)

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Publicada porPedro José  

1 comentários:

Luy disse... 26/02/10, 11:33  

Eu gostei muito das letras do primeiro álbum e ela tem uma excelente voz. É pena que os canais de televisão portugueses tenham deixado de promover a música portuguesa.
Fazem as pessoas perder horas de vida a assiatir aos Ídolos, quando já há excelentes cantores a fazer pela vida.

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